{"id":4210,"date":"2022-01-05T15:56:09","date_gmt":"2022-01-05T18:56:09","guid":{"rendered":"http:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/?page_id=4210"},"modified":"2022-02-07T15:34:10","modified_gmt":"2022-02-07T18:34:10","slug":"desordem-caos-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/desordem-caos-3\/","title":{"rendered":"Desordem &#038; Caos &#8211; 3"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns alignfull\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:25%\">\n<p>Descrito pelos jornais do per\u00edodo como \u201cvelho, negro e infeliz\u201d, faleceu poucos anos depois do registro fotogr\u00e1fico acima ap\u00f3s uma vida devotada a 87 execu\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias. Natural da cidade hoje denominada Lavras, era escravo de Jo\u00e3o de Paiva e dona Cust\u00f3dia. Esta \u00faltima ficou vi\u00fava e acabou morta em 1833. Conta-se que na \u00e9poca era ele um jovem entregue ao jogo, \u00e0 embriaguez e a outros v\u00edcios, sendo ent\u00e3o Fortunato, aos 25 anos, acusado pela morte da senhora. Foi ent\u00e3o, preso, julgado e condenado \u00e0 pena de morte. Ap\u00f3s um acordo, contudo, n\u00e3o foi executado e a pena foi transformada em pris\u00e3o perp\u00e9tua, tendo Fortunato se convertido em carrasco de outros condenados \u00e0 forca. O pr\u00f3prio algoz frequentemente se descrevia como \u201cempregado p\u00fablico\u201d em meio ao of\u00edcio de executor da justi\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:25%\">\n<p>Fortunado relatou ter executado condenados at\u00e9 1874, quando as penas de morte cessaram no Brasil, tendo sido as primeiras que ele realizou em Ouro Preto.<br>A primeira execu\u00e7\u00e3o foi feita ainda no ano de 1833, quando Fortunato foi preso, no dia de Natal. As v\u00edtimas eram dois escravos. Declarava Fortunato que as primeiras execu\u00e7\u00f5es lhe repugnaram. Repugn\u00e2ncia ainda maior sentia quando precisava enforcar mulheres. Quanto aos homens, Fortunato dizia ter ficado habituado e cumpria a obriga\u00e7\u00e3o insensivelmente.\u201d<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-group alignfull boxedestaque\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<p><em>\u201cNos primeiros tempos do of\u00edcio, Fortunato dormia em comum com os demais presos, inclusive aqueles que tinha em breve enforcar. Mas, estando na cadeia de Pitangui, um desses sentenciados \u00e0 morte deu-lhe, durante o sono, profundas navalhadas no ventre, nas costas e nas m\u00e3os, das quais apresentava fortes cicatrizes. Desde ent\u00e3o, ficou sempre separado dos presos condenados \u00e0 pena \u00faltima.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alto, musculoso e ainda forte, em 1877, apesar dos seus 69 anos, dos quais 44 de pris\u00e3o, queixava-se apenas de sofrer reumatismo, acrescentando pacatamente que \u2018se obtivesse a liberdade, iria viver sossegado em algum canto\u2026\u2019 Exerceu o algoz Fortunato seu horroroso of\u00edcio em 29 localidades de Minas Gerais e duas na prov\u00edncia do Rio de Janeiro.\u201d (VEIGA, 1897, p.114-116)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www2.senado.leg.br\/bdsf\/handle\/id\/221689\" target=\"_blank\">[LINK]<\/a><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-group alignfull iframeimg1 iframeimg\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"758\" height=\"432\" src=\"http:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vocabulario.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4226\" srcset=\"https:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vocabulario.jpg 758w, https:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vocabulario-300x171.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 758px) 100vw, 758px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vocabul\u00e1rio carcer\u00e1rio colonial<\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-10 wp-block-columns alignwide\">\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\">\n<h3 class=\"has-text-align-center\" id=\"aljube-de-mariana-a-prisao-para-clerigos-que-jamais-se-concretizou\">ALJUBE DE MARIANA: A PRIS\u00c3O PARA CL\u00c9RIGOS QUE JAMAIS SE CONCRETIZOU<\/h3>\n\n\n\n<p>A Casa Capitular de Mariana foi constru\u00edda por iniciativa dos C\u00f4negos da S\u00e9. A constru\u00e7\u00e3o foi decidida em 1765, finalizada em 1793, ap\u00f3s ser movida uma a\u00e7\u00e3o contra o construtor que havia prometido entrega-la muito antes.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-column\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"http:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lucas-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" width=\"676\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lucas-3-676x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4231\" srcset=\"https:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lucas-3-676x1024.jpg 676w, https:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lucas-3-198x300.jpg 198w, https:\/\/memorialvale.com.br\/virtual\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lucas-3.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><\/a><figcaption><a href=\"http:\/\/www.siaapm.cultura.mg.gov.br\/modules\/fotografico_docs\/photo.php?lid=29425\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[LINK]<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-column\">\n<p>O im\u00f3vel frequentemente \u00e9 definido de forma indevida como &#8220;Aljube&#8221;, ou seja, a pris\u00e3o dos cl\u00e9rigos por motivos disciplinares, mas n\u00e3o chegou a s\u00ea-lo, tendo ficado apenas na inten\u00e7\u00e3o de uma peti\u00e7\u00e3o solicitada pelo primeiro Bispo de Mariana ao rei D. Jo\u00e3o V.<\/p>\n\n\n\n<p>O destino original, portanto, esteve voltado desde sempre para a sede do Cabido Diocesano. Desde 1962 passou a constituir o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, com acervo voltado \u00e0s pe\u00e7as mais importantes que se encontravam nas igrejas, no Semin\u00e1rio e no pal\u00e1cio Arquiepiscopal.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descrito pelos jornais do per\u00edodo como \u201cvelho, negro e infeliz\u201d, faleceu poucos anos depois do registro fotogr\u00e1fico acima ap\u00f3s uma vida devotada a 87 execu\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias. Natural da cidade hoje denominada Lavras, era escravo de Jo\u00e3o de Paiva e dona Cust\u00f3dia. Esta \u00faltima ficou vi\u00fava e acabou morta em 1833. 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