América, Sacco e Vanzetti não podem morrer, de Ricardo Burgarelli

Ricardo Burgarelli, individualmente, na exposição “América, Sacco e Vanzetti não podem morrer”, mostra intervenções formais em reproduções ampliadas de antigos jornais nacionais e internacionais que trataram da condenação à morte dos italianos e anarquistas Sacco e Vanzetti nos Estados Unidos, no final da década de 1920, fato que mobilizou todo o mundo. Repleta de controvérsias e despertando manifestações de repúdio em diversos países, inclusive no Brasil, o caso Sacco e Vanzetti, como ficou conhecido, foi uma forma de penalizar o sapateiro e o peixeiro, respectivamente, por suas atuações nos movimentos sociais. Para retomar o caso, Ricardo busca uma memória sedimentada e documentada nas primeiras páginas dos jornais para intervir e dar novas possibilidades de sentido.

Não apenas para o caso em si, mas para as imagens, textos e intervenções no atual contexto geopolítico mundial. O artista constrói nas reproduções ampliadas rigorosas intervenções geométricas abstratas, colocando o caso numa trama temporal, gerando uma nova camada de sentido ao aproximar o gesto estético de apropriação e intervenção das questões políticas que motivaram a execução de Sacco e Vanzetti. O artista explica que o interesse pelo tema da exposição começou cedo, quando se declarou anarquista. “Dessa época me lembro de ver em casa um pequeno livro antigo ou uma cartilha chamado ´Sacco e Vanzetti – O protesto brasileiro´ e de ficar impressionado com a ocorrência de greves gerais no Brasil em prol dos dois anarquistas.      Recentemente, já tendo desenvolvido trabalhos a partir de pesquisas em hemerotecas e acervos de jornais, decidi construir algo a partir desse caso tendo como mote a comoção mundial em protestos, greves, doações e atos de depredação em defesa da liberdade dos italianos”, explica. Ricardo conta que se apropria de fragmentos de memórias e constrói vestígios a partir daquilo que lhe interessa, enquanto técnica, imagem, narrativa, objeto e ideologia. “Nos meus trabalhos, lido com esses fragmentos mnêmicos a partir da potencialização da dimensão imaginária inerente à constituição da memória, acreditando ser, na prática artística, possível não apenas exercitar a rememoração, mas trabalhar adentrando na própria potência ativa das centelhas do passado”, declara.

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Temporariamente fechado para obras de renovação.

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