Curadoria: Júlio Martins

Lucas “Skritor” (lê-se Escritor) é mineiro nascido e criado em Belo Horizonte, artista visual e grafiteiro, estudante de Artes Plásticas pela Guignard/UEMG. Pesquisa e atua em diferentes linguagens, suportes e técnicas, transitando pela pintura figurativa ao abstracionismo e assemblages, carregando e expressando em suas obras o que vive, observa e aprende em seu cotidiano. O caos urbano, os tons de cinza e a agressividade do graffiti ordenados com classe são traços da poética e estética de seu trabalho.
Babel significa “confusão”, imagem do intento humano coletivo que é frustrado quando se firma o dissenso entre os homens por linguagens que trazem marcas de diferença e beligerância. O caos e os fluxos desiguais das cidades, especialmente uma cidade planejada como Belo Horizonte, ecoam o incidente ancestral da Torre de Babel; também o radicalismo dos atuais acirramentos sociais e políticos no Brasil. Babélica reúne os selecionados pelo Edital Novos Artistas 2021-22. Para esta edição, foi organizada uma exposição coletiva que reconhece nas propostas apresentadas pelos artistas os mesmos trânsitos diversos e implicações políticas de tudo que envolve a convivência partilhada no espaço público e legislado da cidade (pólis). Bárbara Macedo, Froiid, Lucas Skritor e Sara Lana lidam, cada um segundo sua própria experiência, com a multiplicidade de vozes na cidade e interrogam poeticamente questões que atravessam o espaço urbano e que nele criam zonas de encontro, disputa e negociação de sentidos. Bárbara Macedo apresenta um ensaio fotográfico em que pessoas redescobrem seus corpos de uma maneira delicada, sem apelo erótico, tateando a fluidez de gênero. Os corpos frustram o exotismo e nos aproximam do elemento humano e sensível que a artista deseja enquadrar. O mapeamento que Sara Lana compõe também é afetivo; os registros sobre o bairro Santa Efigênia foram colhidos em contato com moradores locais, que desenharam trajetos em pequenos papéis. Ao recompor os fragmentos, a cidade revelada nesta cartografia exibe uma parcialidade singular. Já Froiid, cujas pesquisas artísticas dedicam-se especialmente às estéticas urbanas periféricas, compôs por meio de inteligência artificial um rap de múltiplas combinações de estrofes pré-programadas, que se sucedem infinitamente e de forma aleatória, sempre preservando o sentido dos versos. O trabalho é apresentado numa instalação sonora de impacto visual. Lucas Skritor se considera um artista de rua. Além de executar um graffitti na exposição, traz peças que resultam do encontro da cultura imagética urbana com tradições da história da arte. Em suas pinturas e assemblages ele organiza materiais que recolhe das ruas e os articula com economia de recursos, elegância formal e rigor compositivo.
Júlio Martins, curador.
“Babel”, 2022
Graffitti, site-specific
“Era Digital”, 2020-22
Pintura sobre celulares, dimensões variáveis
“ST I”, 2019
Acrílica sobre tela, 30 x 20 cm
“ST II”, 2019
Acrílica sobre tela, 30 x 20 cm
“Condenado à liberdade”, 2021
Spray sobre madeira, 40 x 36 cm
“ST 1”, 2021
Spray sobre madeira, 40 x 36 cm
“ST 2”, 2021
Spray sobre madeira, 40 x 36 cm
“Odeio título”, 2022
Técnica mista, 45 x 50 cm
“Classe ordinária”, 2022
Técnica mista, 70 x 46 cm
“Otruniverso”, 2022
Técnica mista sobre tela, 80 x 50 cm
“Conflitos Circunstanciais I”, 2020
Técnica mista sobre tela, 80 x 60 cm
“Conflitos Circunstanciais II”, 2020
Técnica mista sobre tela, 80 x 60 cm
Praça da Liberdade, 640,
esquina com Rua Gonçalves Dias
Belo Horizonte – Minas Gerais – Brasil
30140-010 – (31) 3308-4000
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