Curadoria: Júlio Martins

Sara Lana é uma artista e desenvolvedora brasileira de 34 anos. Nascida em Belo Horizonte, estudou matemática e engenharia elétrica na Universidade Federal de Minas Gerais. Seus projetos se situam na confluência da arte com a tecnologia. Recorrem a suportes variados, valendo-se principalmente do som, da eletrônica e do vídeo, tendo a ilustração e a cartografia presentes em todo o processo de criação. Contemplada pela Akademie Solitude Fellowship (Alemanha, 2024) e pelo Bolsa Pampulha (Belo Horizonte, 2019), Sara também apresentou seus trabalhos e foi artista residente em diversos espaços de fomento à arte e à tecnologia no Brasil, Chile, México, Romênia e Suíça. Seus projetos atuam como ferramentas de questionamento e reação ao alheamento de uma sociedade aprisionada ao monopólio do conhecimento tecnológico. Trabalha também em colaboração com espécies não humanas e confia na intermediação de aparatos digitais para tornar tais relações mais equilibradas.
Babel significa “confusão”, imagem do intento humano coletivo que é frustrado quando se firma o dissenso entre os homens por linguagens que trazem marcas de diferença e beligerância. O caos e os fluxos desiguais das cidades, especialmente uma cidade planejada como Belo Horizonte, ecoam o incidente ancestral da Torre de Babel; também o radicalismo dos atuais acirramentos sociais e políticos no Brasil. Babélica reúne os selecionados pelo Edital Novos Artistas 2021-22. Para esta edição, foi organizada uma exposição coletiva que reconhece nas propostas apresentadas pelos artistas os mesmos trânsitos diversos e implicações políticas de tudo que envolve a convivência partilhada no espaço público e legislado da cidade (pólis). Bárbara Macedo, Froiid, Lucas Skritor e Sara Lana lidam, cada um segundo sua própria experiência, com a multiplicidade de vozes na cidade e interrogam poeticamente questões que atravessam o espaço urbano e que nele criam zonas de encontro, disputa e negociação de sentidos. Bárbara Macedo apresenta um ensaio fotográfico em que pessoas redescobrem seus corpos de uma maneira delicada, sem apelo erótico, tateando a fluidez de gênero. Os corpos frustram o exotismo e nos aproximam do elemento humano e sensível que a artista deseja enquadrar. O mapeamento que Sara Lana compõe também é afetivo; os registros sobre o bairro Santa Efigênia foram colhidos em contato com moradores locais, que desenharam trajetos em pequenos papéis. Ao recompor os fragmentos, a cidade revelada nesta cartografia exibe uma parcialidade singular. Já Froiid, cujas pesquisas artísticas dedicam-se especialmente às estéticas urbanas periféricas, compôs por meio de inteligência artificial um rap de múltiplas combinações de estrofes pré-programadas, que se sucedem infinitamente e de forma aleatória, sempre preservando o sentido dos versos. O trabalho é apresentado numa instalação sonora de impacto visual. Lucas Skritor se considera um artista de rua. Além de executar um graffitti na exposição, traz peças que resultam do encontro da cultura imagética urbana com tradições da história da arte. Em suas pinturas e assemblages ele organiza materiais que recolhe das ruas e os articula com economia de recursos, elegância formal e rigor compositivo.
Júlio Martins, curador.
“Orelhinha”, 2021-22
Instalação sonora com orelhão
“Espécies de espaços III”, 2022
Vídeos e monitores digitais
“Na palma de __ mãos”, 2022
Impressão em tecido, mapas em papel e panfletos
Praça da Liberdade, 640,
esquina com Rua Gonçalves Dias
Belo Horizonte – Minas Gerais – Brasil
30140-010 – (31) 3308-4000
Links
Informações